mulheres e tecnologia

As mulheres e a tecnologia.

By 30 de maio de 2017 No Comments

Pode ser que esteja nos smartphones a semente para a real revolução de gênero de que o segmento precisa

Durante muito tempo considerado apenas mais uma data comemorativa no calendário, o Dia Internacional da Mulher começa, aos poucos, a se firmar como uma data relevante, que transcende as flores, perfumes e bombons protocolares com que a sociedade de consumo festeja o universo feminino. É que, mais do que um dia de comemorações, o 8 de março começa a ser visto como um dia de luta — ou, pelo menos, um dia de reflexão, em que paramos para pensar no quanto ainda falta para atingirmos uma real igualdade de gêneros.

Já progredimos em muitos aspectos, mas ainda estamos longe do ideal: a desigualdade no mundo da tecnologia, por exemplo, resiste teimosamente ao tempo e às iniciativas de inclusão. Uma pesquisa feita no ano passado entre as maiores empresas do setor, nos Estados Unidos, mostrou que o percentual de mulheres trabalhando em tecnologia não ultrapassa 30% — muito pouco, sobretudo, quando se leva em consideração que as mulheres, que compõem 51% da população do país, ocupam, na média, 59% das posições de trabalho.

O pior é que esses 30% nem ao menos correspondem a atividades específicas do setor, já que a percentagem de mulheres diretamente envolvidas com pesquisa e desenvolvimento é apenas uma fração disso: a maioria trabalha em posições administrativas, naquilo que, durante tanto tempo, se convencionou chamar de “trabalho de mulher”. No Twitter, que emprega exatamente 30% de mulheres, apenas 10% estão em cargos técnicos; no Facebook, 15%; na Microsoft e no Google, 17%. Mesmo na Apple, que tem os melhores índices, mulheres ocupam apenas 20% desses cargos. A percentagem de mulheres em cargos de liderança é um pouco maior em todas elas, mas ainda assim não ultrapassa 28% (na Apple).

No Brasil a situação é, claro, ainda pior. A quantidade de mulheres aprovadas nos vestibulares para turmas de engenharia ou ciência da computação mal chega a 15%; mas grandes decepções as aguardam no mercado de trabalho onde, tipicamente, receberão salários 30% menores do que os dos homens.

Muitas empresas começam a tentar mudar este quadro determinando percentuais de vagas a serem preenchidas por mulheres, mas esta é uma questão cultural que está longe de se resolver através de cotas: há uma percepção generalizada na sociedade de que programação e computador são coisas de menino, pouco palatáveis para meninas.

Acho que essa noção pode começar a mudar graças ao intenso convívio que todos nós, homens e mulheres, temos com os nossos telefones. Os computadores, por familiares que sejam, ainda têm um quê de arcano, de intimidador; os smartphones, ao contrário, são aparelhos universalmente aceitos, e muito amados pela garotada. Pode ser que neles esteja a semente para a real revolução de gênero de que a tecnologia precisa.

Mesmo no planeta smartphone, porém, ainda há certo grau de desigualdade a ser resolvido. Segundo um estudo recente do ConsumerLab, da Ericsson, apenas 42% das mulheres usam smartphones na América Latina, contra 47% dos homens. A nota positiva é que essa diferença já foi bem maior, vem diminuindo consistentemente e, na faixa mais jovem da população pesquisada, entre 15 e 20 anos, até deixou de existir. Em 2010, por exemplo, apenas 4% das mulheres jovens usavam os aparelhos, contra 12% dos rapazes. Hoje, este número está em 62% para ambos os sexos. Um número, enfim, digno de comemoração.

fonte: Jornal O Globo
https://oglobo.globo.com

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